domingo, 10 de outubro de 2010

Maratona de Foz do Iguaçu - estréia

E não é que é verdade mesmo? O Dr. Geraldo Nogueira (Sportmed Maringá) me liberou e há exatos 15 dias atrás eu estreava em maratonas. Eu ainda me pergunto por que justamente lá, todo mundo sabe que o trajeto de Foz é considerado o mais dificil do Brasil. Tem coisas que não tem explicação, elas simplesmente acontecem, acredito que era a hora e pronto. Abaixo, quero resumir um pouco do que foi esse momento.


Tudo começou em meados de julho deste ano, quando o Carlão de Floraí disse que estava querendo ir pra Foz para "rodar" 30 km (até o portão do Parque Nacional), comentei esse fato com o Ronaldinho e o Flavinho "Gladiador" que resolveram que iam fazer a mesma coisa. Então pensei em fazer o mesmo e irmos juntos (nós quatro) até o portão do Parque Nacional, mal sabia que a "arapuca" estava armada. No dia 01/08 (faltando 8 semanas para a "marata") fiz o primeiro longão (superior aos 24 km costumeiro) já visando esta "brincadeira", troquei uma idéia com os Prof. Gilberto e Zé Jorge que me deram algumas dicas de aumento na rodagem pra cumprir essa meta, posteriormente comuniquei o Prof. Luciano que deu a maior força. Os treinos foram seguindo em agosto, quando de repente o Ronaldinho desistiu de ir para Foz, o Carlão resolveu correr o 11,5 km e o Flavinho decidiu concluir os 42.195 mts. Como os treinos foram seguindo, comecei a ouvir comentários de que eu tinha que ir para completar também, ou seja, esquecer a idéia dos 30 km. Comecei no mês de agosto aumentando minha carga média semanal de treino que era na média de 90 km, para 110 km. Com a nova meta estabelecida (concluir a prova), comecei setembro fazendo 120 km e duas semanas depois eu fiz 130 km (ainda um pouco distante dos 160-180 km/semana que meus amigos estavam fazendo), mas criei coragem e busquei condicionar minha mente e meu corpo para suportar todo o trajeto.


PVM
Em 2007, quando descobri que tinha PVM (prolapso valvar mitral), o cargiologista que me acompanhava disse que eu JAMAIS poderia fazer uma maratona porque correria risco de morte, era pra eu fazer no máximo as provas de 10 km. Mesmo sendo assintomático, ser considerado de grau leve e os exames não apresentarem nenhuma variação, em 2009 me foi sugerido abandonar qualquer tipo de competição. Chateado, porém não desesperado, me aconselharam a procurar uma segunda opinião, mas de preferencia um especialista em medicina esportiva (não era o caso do médico anterior), foi aí que entrou o Dr. Geraldo Nogueira (cardiologista, especialista em medicina e fisiologia esportiva e corredor). Depois de repetirmos todos os exames, e ele arranca o "couro" mesmo, veio a boa notícia acompanhado de uma surpresa. Os testes/exames comprovaram não haver nenhum risco a pratica competitiva e também essas avaliações apontavam para competição em provas de longa duração com muita segurança. Na vespera de sair de viagem o Geraldo me ligou e conversamos por quase 30 minutos, foi quando ele sugeriu que eu (pela primeira vez na vida) corresse com frequencímetro e trabalhasse com bpm na casa dos 176.


Treinos / longão
Aos domingos de manhã, por volta das 7:00 h, a galera já estava reunida na casa do nosso presidente Zé Jorge para iniciarmos as rodagens bem longas, sempre tivemos o apoio da Ruth (mulher do Daniel "Keniano"), D. Eva e Jéssica (mulher e neta do Zé Jorge), Dra. Eli que iam com seu carro levando água/suco/malto, pra que todos pudessem realizar um treino de qualidade, e ainda no dia que fomos para Floresta, também foi de carro a minha mulher (Cleide), o Lú e o sobrinho da Ruth. É muito dificil conseguirmos sozinho alguma coisa na vida e aqui em Maringá, ficou provado que no atletismo também precisamos de muita ajuda e apoio. Nas rodagens diárias sempre tive a companhia do Flavinho, que meu deu muitas dicas e de vez em quando também rodava com o Niltão e o Ronaldinho. Terça e quinta, treino de pista. Em agosto eu estava intercalando tiros específicos para Maratona e 10 km (já que não ia concluir), em setembro, acabou a moleza, treino normal.


A viagem
Saímos de Maringá dia 24/09 às 7:45 h rumo à Foz. Confesso que estava muito tranquilo e sem nenhuma cobrança pessoal de resultado, o negócio era só terminar a prova e os meu amigos de treino me deram muita força, me lembrando dos treinos que fizemos juntos e a partir daí era só por em prática, sem contar o apoio familiar, isso fez muita diferença.


O grande dia
Domingo - 26, 4:30 h o relógio despertou, dormi legal e acordei bem descansado, descemos para tomar café e antes das 6:30 h já estávamos no local da largada - Vertedouro da Itaipu Binacional. Na véspera, desenhei a estratégia com o Mister Daniel "Keniano", ele disse que íamos correr juntos até o final, fato este consumado (veja a foto acima, estamos à menos de 800 mts da chegada), ele usou de toda a sua experiencia em maratona (25 no total e o 4º em Foz), foi me dando dicas e me ajudando a desenvolver o rítimo sem desespero, a cada 10 km vencido, ele me comprimentava e me lembrava que Deus é fiel (disso eu nunca duvidei), no km 35 o baço começou a doer, tive umas dicas muito legais, coloquei em prática e logo essa dor foi embora. É lógico que dessa altura pra frente, metade do pé direito já estava amortecido, tinha algumas dores laterais, e algumas outras que iam e vinham. Finalmente depois de 2:49:59 h cruzamos a linha de chegada - 8º M3539 - 42º geral. Houve muita emoção, não sabia se ria ou chorava, os amigos que fizeram o 11.5 km estavam lá e se alegraram muito conosco. Logo depois de agradecer à Deus por ter vencido este desafio, abracei o Daniel e novamente algumas lágrimas caíram do nosso rosto. Tratamento de gelo (à pedido do mestre Daniel) e quase meia hora de massagem as pernas doloridas voltaram a reagir. Muitas coisas passaram em minha cabeça naquela hora, mas a frase simples que mais impactava a minha mente era: DEUS É FIEL. Estava muito eufórico e o Prof. Gilberto me acalmou dizendo: Isso é só uma maratona. Na realidade é isso mesmo. A vida também é feita de momentos, e esse com certeza esse foi um desses grandes momentos (pra mim).

Se vou ser liberado para correr outras maratonas, não sei, mas posso afirmar com todas as letras que eu gostei desse negócio e no que depender de mim, não paro mais com essa "loucura gostosa".

É isso aí, bons treinos, boas corridas, a vida segue e Deus ... (voce sabe).







4 comentários:

CORRENDO E APRENDENDO disse...

Parabéns Emerson pelo excelente resultado alcançado.

E gostaria de te parabenizar por dedicar as suas conquistas a DEUS.

Tenho visto pelos resultados alcançado que ELE tem sido fiel a você.
TODA HONRA E TODA A GLORIA SEJAM DADAS A DEUS.

Fica com DEUS.
Bons Treinos a todos.

Silvio de Oliveira

tutta disse...

SENSACIONAL, é o que posso dizer deste relato da sua primeira maratona caro amigo Emerson.
Parabéns pelo excelente tempo de conclusão e muito obrigado por aquele Gel lá no km 33. hehe
Abraço, tudo de bom e que venham outras mais...


tutta
www.correndocorridas.blogspot.com
Twitter: @tuttacferreira

anderson terror disse...

Olá Emerson,

Parabéns pela estréia com tempo de veterano!

Impressionante essa história de pvm, exames e ainda um tempo de 2:49:59 em Foz.

[]

Anderson L. Fernandes

Emerson Jacques - corredor disse...

Olá Anderson, bom dia.

Obrigado pela visita e pelas palavras. Realmente a história do PVM é interessante, graças à Deus eu não sou encanado com essas coisas. O médico liberou, está liberado, procuro não ficar procurando “pêlo em ovo”.

Se você tiver blog, deixe o endereço pra eu fazer uma visita.

Grande abraço.